Taipa de Pilão
Um assunto que me tem despertado grande interesse ultimamente é a construção civil do Brasil colonial. Por isso passei uma semana na cidade do Rio de Janeiro procurando informações sobre o tema, nos prédios mais antigos do Brasil, e em dezembro vou para Cabo Frio onde pode ser encontrado importante sítio arqueológico do Brasil Colonial. Aliás, Cabo Frio é o local onde foi pela primeira vez erguida uma construção de modelo europeu em nosso território.
No Rio de Janeiro (Corte), as primeiras obras eram de cantaria de pedras aparelhadas, como elemento estrutural. Em alguns lugares como a Casa do Trem que era o Arsenal de Guerra, eram colocados alguns tijolos cozidos em arcos de descargas internos, para aumentar a resistência. Em construções militares ou em cadeias eram utilizadas argamassas de barro com cal e era acrescentado o óleo de baleia. No entanto, a maioria das casas, as construções, eram muito simples, e cobertas de palha e o piso de terra batida, coberto com uma camada de esterco de curral diluído. O esterco diluído ainda hoje é usado nos lugares mais remotos da serra da Mantiqueira em Minas Gerais. Só mesmo alguns prédios públicos eram telhados de telhas cumbucas ou canal.
Também as igrejas usavam este sistema., como a de Nossa Senhora do Carmo e o Paço dos Vice-Reis. Diante da dificuldade da extração e do transporte de pedras nas primeiras construções foram utilizadas pedras e tijolos trazidos de Portugal, que tinham também como finalidade fazer lastro às caravelas. (Fotos em minha página) Aliás, tijolo cozido era raro no Brasil.
As igrejas eram na maioria construídas pelos próprios padres, utilizando a mão-de-obra indígena. A grande maioria era de taipa, com tijolões de barro cru, com fibras ou esterco de curral, geralmente com 20x40 cm.
Para se obter mais segurança, os elementos estruturais, eram utilizados a técnica de Taipa de Pilão, nesse sistema o barro é socado por um grande soquete, dentro de formas de madeira, a estrutura depois de seca era revestida de taipa de sopapo, sobre uma armação de varas de galhos ou de bambu, devidamente amarrados entrelaçados.
A Taipa de Pilão era usada largamente em Portugal, nos séculos anteriores. Foi aprendia com os mouros que por sua vez herdaram dos romanos.
Logo depois do final do ano quando eu voltar de Cabo frio, e trouxer mais alguma informação relevante ao debate, pretendo dar prosseguimento abordando o papel dos mestres- pedreiros, mestres de risco e engenheiros militares que vieram de Portugal para o Brasil, para as primeiras grandes obras coloniais.
Os engenheiros, deveriam assinar suas obras, assim como os pintores assinam seus quadros.