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Arqueólogos egípcios descobrem tumbas de construtores das pirâmides

Achado ajuda a entender como vivia e comia o povo há mais de 4.000 anos. Segundo pesquisador, trabalhadores não eram escravos como se pensava

Arqueólogos egípcios descobriram um grupo de novas tumbas de trabalhadores que construíram as pirâmides, abrindo espaço para entender a forma como eles viviam e comiam há mais de 4.000 anos. A revelação foi feita neste domingo (10) pelo departamento de antiguidades do país.

As tumbas são pertencentes à 4ª dinastia, entre os anos 2.575 a.C. e 2.467 a.C., quando as Grandes Pirâmides foram construídas, segundo o diretor do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Zahi Hawass.

As primeiras tumbas de trabalhadores que construíram as pirâmides foram encontradas nos anos 1990 e, junto com as novas descobertas, indicam que os trabalhadores não eram escravos, como se pensava anteriormente.

"Essas tumbas foram construídas ao lado da pirâmide do rei, o que indica que essas pessoas não eram escravas, pois não poderiam ter construído suas tumbas dessa forma", disse Hawass. As tumbas eram usadas para trabalhadores mortos durante a construção.

As evidências encontradas apontam que aproximadamente 10 mil trabalhadores atuaram na construção da pirâmides e eles comiam 21 bois e 23 ovelhas que eram enviados diariamente para eles por fazendas do norte e do sul do Egito.

(G1, 10/1)
Descoberta arqueológica para obra no rio São Francisco em Pernambuco

FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Custódia (PE)

Um sítio arqueológico com fragmentos cerâmicos e gravuras rupestres foi encontrado em um canteiro de obras da transposição das águas do rio São Francisco, em Custódia (que fica a 350 km de Recife).

Os vestígios, que podem ter 9.000 anos, foram achados em uma região de caatinga conhecida por Lage das Onças, no lote 10 da obra, a 40 km da cidade.

A descoberta surpreendeu especialistas também por sua conexão com outra região brasileira, esta na Paraíba, onde há pegadas de dinossauros. A área em Pernambuco abriga ainda ruínas de um engenho e até cartuchos de fuzil que podem ter ligação com o cangaço.

As gravuras, talhadas em pedra, não se assemelham à forma humana ou animal. Segundo os arqueólogos, os desenhos são de "grafismos puros", que nada representam da vida real.

Os fragmentos cerâmicos foram encontrados a aproximadamente cem metros de distância das gravuras, no exato local onde passará o canal do eixo leste da transposição.

A descoberta paralisou os trabalhos de terraplenagem numa área de aproximadamente 20 mil metros quadrados. Os tratores se afastaram e todo o trabalho precisou ser suspenso para que os arqueólogos pudessem resgatar as peças e iniciar o trabalho de avaliação do valor histórico do sítio e dos vestígios encontrados.

Segundo o Ministério da Integração Nacional, após o recolhimento dos fragmentos, a passagem das máquinas pelo local será retomada. Esse trabalho será monitorado pelos pesquisadores, para evitar que eventuais vestígios não recolhidos sejam destruídos --é um trabalho de monitoramento que pode levar vários meses.

O sítio de gravuras rupestres não será afetado pela obra, dizem os arqueólogos. As pedras --algumas com desenhos em forma de pequenos quadrados e com graduações cromáticas-- estão localizadas fora do eixo, no curso de um riacho não perene, sobre o paredão de uma pequena queda d'água que se forma em tempos de chuva.

Recomendada no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) e patrocinada pelo ministério, a prospecção arqueológica abrange os dois eixos da transposição, os canais leste e norte.

Na primeira fase da pesquisa, que está acontecendo paralelamente à obra, um grupo de arqueólogos ligados à Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco) já notificou cerca de 80 possíveis achados históricos e pré-históricos.

Além dos fragmentos cerâmicos e das gravuras rupestres, eles encontraram objetos e estruturas que remontariam ao período de atividade dos cangaceiros, como as ruínas de um antigo engenho e cartuchos de fuzil datados de 1912 a 1915.

As descobertas foram mapeadas, fotografadas, catalogadas e, quando possível, recolhidas, num processo conhecido como "salvamento".

Em fevereiro, uma nova equipe de especialistas, do Instituto Nacional de Arqueologia, Paleontologia e Ambiente do Semiárido do Nordeste, assumirá o trabalho de prospecção de toda a área do sítio arqueológico. Os vestígios já encontrados serão estudados.

"É uma oportunidade única de pesquisarmos a mais importante rota do Brasil em paleontologia", disse a coordenadora do instituto, a arqueóloga francesa Anne-Marie Pessis.

Segundo ela, a região tem conexão --apresenta as mesma condição de clima e solo-- com o chamado vale dos dinossauros, localizado em Sousa, município paraibano conhecido por suas inúmeras trilhas de pegadas fossilizadas de animais pré-históricos.

O Ministério da Integração Nacional afirma que os sítios serão preservados.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u683891.shtml
JC e-mail 4127, de 29 de Outubro de 2010.

21. Homem dominou afiação de pedras há 75 mil anos, revela estudo

Descoberta antecipa em pelo menos 50 mil anos o domínio da técnica. Pesquisadores analisaram 159 pontas e 179 outras peças trabalhadas

Os homens pré-históricos do sul da África dominaram técnicas para afiar pedras e também o uso do fogo para fazer facas há pelo menos 75 mil anos, 50 mil anos mais cedo do que se pensava até o momento, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira.

A descoberta, feita na caverna de Blombos, na África do Sul, antecipa em pelo menos 50 mil anos o domínio desta técnica que consiste no aquecimento do silcreto, um material duro constituído por quartzos cimentados por sílica para modificar a estrutura e melhor moldá-la.

Essas pedras eram, em seguida, delicadamente trabalhadas com martelos de madeira ou de ossos para deixá-las bem afiadas.

"Essa técnica é a mais eficaz para dominar a afiação, espessura e forma de uma ferramenta de dois gumes, como as pontas de lança e as facas de pedra", explicou Paola Villa, conservadora do Museu de História Natural da Universidade do Colorado (oeste dos Estados Unidos), coautora deste estudo, que será publicado na edição desta sexta-feira da revista Science.

Antes da descoberta destes objetos em Blombos, os indícios mais antigos da dominação destas técnicas sofisticadas remontavam somente à cultura Solutrense do Paleolítico Superior, na França e na Espanha, datando de aproximadamente 20 mil anos.

"A descoberta na caverna na Blombos é importante porque mostra que os humanos modernos no que é hoje a África do Sul tinham um repertório de técnicas sofisticadas de fabricação de ferramentas de pedra desde muito cedo", revelou Paola Villa.

"O uso dessas técnicas é um bom exemplo de uma tendência para desenvolver novas ideias e técnicas amplamente consideradas como características de comportamentos modernos e avançados", acrescentou.

Os pesquisadores analisaram 159 pontas e fragmentos de silcreto e 179 outras peças trabalhadas. Eles também examinaram mais de 700 escamas ou pequenas placas, feitas a partir do trabalho de amolação.

(G1, 29/10)
JC e-mail 4132, de 08 de Novembro de 2010.

19. Técnica recria pintura rupestre em 3D

Pesquisadores usaram câmera e scanner para reproduzir com precisão arte milenar de parque nacional do PI

As pinturas rupestres da Serra da Capivara (PI) resistiram a milênios de sol e chuva, mas há sempre o risco de que o tempo ou o descuido as apague. Para evitar isso, pesquisadores desenvolveram uma tecnologia nova para registrá-las em 3D.
O grupo de cientistas, da Fundação Museu do Homem Americano e da Universidade Federal de Pernambuco, acoplou um equipamento fotográfico de altíssima resolução a um scanner a laser, o que permite criar em computador um retrato fidedigno e tridimensional da pintura.
A ideia é inovadora, já que restaurar uma pintura nessas condições, como se faz com quadros de um museu, é um procedimento temerário. O máximo que se poderia fazer é criar condições adequadas para diminuir seu ritmo de degradação. Agora, as imagens estão mais perto da imortalidade, pode-se dizer.
O projeto, que teve financiamento do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia), escaneou mais de 3.000 figuras rupestres no parque nacional nordestino. É o maior volume já documentado com esse tipo de tecnologia no mundo.
"Esse é o recurso técnico mais preciso que existe no momento. E, como a pintura original será destruída cedo ou tarde, o que podemos fazer é multiplicar esse tipo de levantamento", diz a pesquisadora Anne-Marie Pessis, que coordena o projeto.
O scanner a laser é um equipamento utilizado com frequência em estudos topográficos.
Acoplado a um avião, ele faz a varredura de determinado terreno e cria um modelo da superfície com precisão milimétrica. No caso do parque, ele foi apontado para uma parede.
O papel da câmera digital era capturar as cores e contornos da pintura. Os dois registros foram unidos por um programa de computador, que criou os modelos 3D.
Além da melhor resolução, o processo tem evidentes vantagens em relação à fotografia tradicional. Como as pinturas foram feitas em superfícies irregulares- as paredes das cavernas-, uma foto bidimensional faz com que seu formato fique bastante distorcido.
"O homem pré-histórico criava soluções diferentes de pintura de acordo com a superfície", diz Maria Lúcia Pardi, arqueóloga do Iphan.
O arquivo digital tem outra utilidade além da preservação. Permite fazer réplicas idênticas ao sítio arqueológico original. Isso já acontece com as grutas de Lascaux, na França, e Altamira, na Espanha. Elas foram fechadas à visitação, e são suas réplicas que hoje ficam abertas aos turistas interessados.
"Em ambos os casos, as pinturas tiveram de ser reproduzidas à mão. Com o nosso sistema, é possível fazer tudo mecanicamente e com muito mais precisão", diz Anne-Marie Pessis.
A Serra da Capivara reúne os sítios de pintura rupestre mais importantes do Brasil, alguns dos mais antigos do mundo.
O projeto, que custou R$ 300 mil e durou quatro anos, documentou as pinturas de apenas seis sítios arqueológicos de um total de 1.200 existentes na região.
Complexo no PI é ícone do Brasil pré-histórico
O Parque Nacional Serra da Capivara talvez empate com a região de Lagoa Santa (MG) na disputa pelo título de complexo pré-histórico mais importante do Brasil, mas sai na frente no quesito "ícone".
A vantagem é dada pela variedade das pinturas rupestres, que retratam de forma vívida animais (alguns dos quais possivelmente representantes dos megamamíferos extintos no fim da Era do Gelo) e humanos em cenas de sexo, caça, dança e rituais.
Para a fama do complexo no Piauí também concorrem as polêmicas arqueológicas. A maioria dos pesquisadores concorda que a ocupação ali é muito antiga, talvez remontando aos últimos milênios da Era do Gelo, há cerca de 15 mil anos.
Mas os especialistas que trabalham no parque vão além. Para eles, há sinais claros de presença humana entre 50 mil e 100 mil anos atrás. Essa proposta contraria os modelos mais aceitos sobre a chegada do Homo sapiens ao continente americano.

(Marcelo Bortoloti)

(Folha de SP, 6/11)
 
Alemanha não devolverá busto de Nefertiti

 
Egito havia solicitado devolução da estátua da rainha, descoberta por arqueólogo alemão

Uma fundação alemã negou o pedido do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito para que devolva o busto da rainha egípcia Nefertiti, que atrai cerca de um milhão de visitantes anuais para o Museu Neues, em Berlim.

 

A escultura de 3,4 mil anos, conhecida pelos seus olhos amendoados e longo pescoço, é um dos vários tesouros que Zahi Hawass, presidente do conselho, quer ver de volta a seu país, de onde, alega, foram retirados ilegalmente.

 

Em um comunicado, o presidente da Fundação para a Herança Cultural da Prússia, Hermann Parzinger, reafirmou que sua política quanto à devolução não mudou e que o busto da rainha "é e continua sendo um embaixador do Egito em Berlim".

 

O busto de Nefertiti foi descoberto pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt em 1912 num sítio a 275 quilômetros ao sul do Cairo elevado para a Alemanha no ano seguinte.

 

Segundo Hawass, documentos apresentados pelo Museu Neues confirmam que Borchardt diminuiu a importância histórica do achado para conseguir levá-lo para a Alemanha. O museu, por sua vez, diz que a peça foi obtida legalmente e que o Egito não tem bases legais para exigir sua devolução. A fundação também destacou que o pedido não foi formalmente encaminhado pelo governo egípcio por não ter sido assinado pelo primeiro-ministro Ahmed Nazif.

 

- Estou fazendo algo em que acredito e que deveria ter sido feito há 100 anos - disse Hawass. - Minha campanha reúne aqueles que foram pilhados contra os saqueadores. Ela serve de inspiração para outras campanhas no mundo todo.

 

Hawass contou que sua campanha, lançada em 2002, já conseguiu a devolução de cerca de 5 mil artefatos que estavam em museus e coleções privadas no exterior.Além do busto de Nefertiti, ele busca o retorno de obras importantes como a Pedra de Roseta, um bloco de granito cujas inscrições em três línguas ajudaram na compreensão dos hieróglifos do Egito Antigo e hoje está em exposição no Museu Britânico, em Londres.

(O Globo, 26/1)

Museu Goeldi recebe doação de peças marajoaras

 
Duas urnas de 1 metro cada e um artefato em madeira chegaram a Belém (PA) graças à perícia de técnicos da instituição

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) recebeu doação de peças arqueológicas que estavam em propriedade do Leandro Tocantins Penna, descendente do fundador da instituição de pesquisa, Domingos Soares Ferreira Penna, na Ilha do Marajó. São duas urnas marajoaras com altura de cerca de 1 metro cada, um artefato em madeira semelhante a uma lança, além de 20 fragmentos de cerâmica que ainda serão analisados pela equipe do museu.

 

Sobrinho bisneto de Ferreira Penna, Leandro Tocantins Penna recebeu a autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para doar as peças ao acervo do Museu Goeldi, que se responsabilizou pelo transporte do material. As peças já se estão na reserva técnica da instituição para limpeza, tratamento e catalogação.

 

Trata-se de um acréscimo de grande valor para a coleção arqueológica do museu, na opinião do especialista, o arqueólogo Fernando Marques. Isso é particularmente verdadeiro, tendo o estado de conservação das peças e seu valor para a cultura e a ciência nacionais. "Além disso, tem o laço emocional pelo vinculo com o fundador da instituição", destaca o arqueólogo.

 

A curadora das coleções arqueológicas do MPEG, Vera Guapindaia, concorda com o colega e destaca que iniciativas como a de Leandro Penna, isto é, doar peças arqueológicas a institutos de pesquisa, devem ser incentivadas. Uma vez que, se estas peças continuassem em uma coleção privada, não seria possível realizar estudos e partilhar os resultados para o público em geral. A arqueóloga destaca que "as urnas funerárias, por apresentarem decoração elaborada eram destinadas a indivíduos de status elevado entre os marajoaras".

 

A viagem

 

As urnas e o artefato de madeira estão em ótimo estado de conservação, sendo inclusive visíveis nas urnas as pinturas e modelagem feitas pelos marajoaras. O trabalho de acondicionamento e transporte das peças foi de responsabilidade da equipe da Reserva Técnica de Arqueologia do Museu Goeldi, que confeccionou embalagens sob medida (ou exclusivas) para itens tão frágeis e de dimensões consideráveis.

 

Segundo o restaurador da instituição, Raimundo Santos, a maior peça pesa cerca de 70 quilos e foi transportada do Marajó a Belém por uma equipe qualificada de técnicos do Museu Goeldi. "Foram percorridos cerca de 72 quilômetros em 12 horas devido às difíceis condições da estrada, mas nós já somos acostumados a fazer esse tipo de transporte de peças e ocorreu tudo dentro do previsto", diz o restaurador.

 

O cuidado é extremo e de grande responsabilidade. A missão foi coordenada por Raimundo, mas também participaram do traslado das peças o técnico Fábio Jacob, o motorista Stelio Chaves, além de guia designado pelo doador das peças. "Assim, nós vimos que o trabalho só funcionaria em equipe e cada um foi muito importante nesse transporte, já que a viagem foi bastante longa e difícil", lembra Fábio Jacob.

(Agência Museu Goeldi)

JC e-mail 4296, de 08 de Julho de 2011.

19. Circuitos Arqueológicos encerram exposição na Bahia

Projeto da UFBA e do Ipac desenvolve programa sobre manejo de sítios de arte rupestre da Chapada Diamantina.

Morro do Chapéu, a 390 km de Salvador, será a última cidade da Chapada Diamantina a receber a exposição "Circuitos Arqueológicos" do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), em parceria com o departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A mostra será aberta às 19h de hoje (8), no centro cultural da cidade.



Wagner, Seabra, Iraquara, Palmeiras e Lençóis são as cidades que já tiveram suas próprias exposições. Geralmente são compostas por cerca de 40 objetos e documentos antigos restaurados pelas populações, além de 70 fotos de paisagens, cachoeiras, rios, serras e sítios de pinturas rupestres. Coberturas fotográficas feitas por crianças, adolescentes e adultos que participaram de oficinas de fotos, conservação, educação patrimonial e cursos de arqueologia complementam a mostra.



Morro do Chapéu deve integrar um dos oito roteiros culturais mapeados pelas equipes do Ipac e UFBA formada por educadores, arqueólogos, administradores, fotógrafos, restauradores, arquitetos, entre outros especialistas, além de agentes municipais e colaboradores locais. O resultado é o Programa de Pesquisa e Manejo de Sítios de Arte Rupestre da Chapada Diamantina que propõe o desenvolvimento sustentável de alguns municípios dessa antiga região, tendo por base os seus patrimônios culturais, ambientais e paisagísticos.



A parceria entre Ipac e UFBA possibilitou mapeamento de 57 sítios arqueológicos, cujos resultados estão sendo exibidos desde abril por essas cidades. Desde 2008, pesquisadores da UFBA percorrem cidades da Chapada mapeando sítios arqueológicos com ajuda das prefeituras municipais e de moradores. Dessa etapa, eles conseguiram identificar e registrar sítios de pinturas rupestres e promover cursos para as populações.



Já o Ipac, autarquia da secretaria estadual de Cultura (SecultBA), fez levantamento dos patrimônios edificados da Chapada tombados como bens estaduais ou federais. Técnicos também promoveram oficinas de educação patrimonial com moradores com objetivo de torná-los agentes multiplicadores e proporcionar a criação de grupos locais.



Segundo o diretor do Ipac, Frederico Mendonça, o "objetivo do programa é fazer com que os patrimônios arqueológicos passem a ser incluídos também no turismo cultural do Estado". Para ele, as cidades da Chapada que detêm conjuntos arquitetônicos tombados pela União são divulgadas e têm infra-estrutura para recepção de turistas, enquanto os sítios arqueológicos ainda não dispõem desse perfil receptivo.



A expectativa é que quando forem implantados os Circuitos em parceria com prefeituras da Chapada, secretarias estaduais do Turismo, Educação, Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, esses roteiros culturais possibilitem mais vetores de desenvolvimento sustentável através do turismo para os municípios dessa região.

(Ascom do Ipac)
JC e-mail 4297, de 11 de Julho de 2011.

13. Com pouco controle, arqueologia vive explosão no Brasil

Crescimento de trabalho em sítios arqueológicos foi impulsionado pelas obras de infraestrutura do PAC Número de escavações aumentou 19.300% em 20 anos; falta de regulamentação do arqueólogo é problema.

Graças ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), nunca se fez tanta pesquisa arqueológica no Brasil. E nunca se perdeu tanto patrimônio arqueológico.
O aquecimento da economia e a explosão nas obras de infraestrutura fizeram o número de escavações saltar de 5 para 969 entre 1991 e 2010 ""um crescimento de 19.300%.
Somente após 2006, quando o PAC foi lançado, o aumento nas licenças foi de 130%. Este ano deve fechar com 1.300 autorizações ""o uma média de uma nova pesquisa a cada seis horas.



O número de cursos de graduação em arqueologia decuplicou na última década. E o de sítios arqueológicos registrados no Brasil subiu de 15 mil para 20 mil só no último ano, segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).



Esses números escondem um problema: 90% das pesquisas autorizadas são de arqueologia de salvamento ""a "arqueologia de contrato". Exigência legal do licenciamento ambiental de uma obra, esse tipo de pesquisa consiste em extrair o máximo de informação possível de sítios que serão destruídos por estradas, hidrelétricas ou por projetos de mineração



Na semana passada, por exemplo, quando a presidente Dilma apertou o botão que abria as comportas da usina hidrelétrica de Santo Antônio, condenou ao afogamento centenas de petroglifos (murais gravados em pedra pelos índios na pré-história).



Em Santo Antônio, uma empresa contratada por R$ 10 milhões levou 60 arqueólogos ao canteiro de obras e registrou 52 sítios. "O que conseguimos fazer lá não seria possível na academia", disse à Folha Renato Kipnis, pesquisador da USP e arqueólogo da empresa Scientia, que coordenou o resgate em Rondônia.



Nem todos os sítios têm a mesma sorte. O Iphan frequentemente recebe denúncias de empreendedores que, espremidos pelo calendário das obras, atropelam o trabalho dos arqueólogos.



Em outros casos o problema são os próprios arqueólogos: como a profissão não é regulamentada, qualquer pessoa com especialização pode abrir uma empresa e disputar o mercado. A SAB (Sociedade de Arqueologia Brasileira) propôs recentemente a criação de uma "autorregulamentação" da profissão de arqueólogo. A ideia é que profissionais qualificados ganhem um "selo" para disputar contratos.



A proposta encontra resistências na comunidade, que diz que faltam arqueólogos: são apenas 700 no país.

(Folha de São Paulo - 10/07)
 
 Brasileiros descobrem em MG a mais antiga gravura rupestre das Américas
 
Desenho teria de 9,5 mil a 10,5 mil anos e enfraquece teoria que defende chegada do homem às Américas há 11,2 mil anos.

Pesquisadores brasileiros encontraram a gravura rupestre mais antiga das Américas: um baixo-relevo descoberto a apenas 60 quilômetros de Belo Horizonte, em Lagoa Santa. As datações de carbono 14 sugerem que a representação pré-histórica tem de 9,5 mil a 10,5 mil anos.

 

O desenho apresenta uma misteriosa figura antropomórfica com a cabeça em forma de C, três dígitos nas mãos e pênis ereto. "Provavelmente, era parte de um painel maior, a representação de algo como um culto de fertilidade", propõe Walter Neves, arqueólogo do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e um dos principais responsáveis pela descoberta, divulgada na revista PLoS One.

 

"Também poderia representar uma exaltação à virilidade", aponta Astolfo Araujo, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Ele recorda que, ao calibrar a datação por carbono 14, o achado pode ser ainda mais antigo: de 10,5 mil a 12 mil anos atrás. "Esse dado foi confirmado por outro método de datação: a luminescência."

 

O arqueólogo Danilo Bernardo, coautor do trabalho, recorda que a gravura foi descoberta em julho de 2009. "Estávamos prestes a cobrir o sítio arqueológico para deixar o local", afirma Bernardo. O grupo realizava as últimas escavações quando surgiu a figura. "Só conseguimos datar porque trabalhamos de forma metódica, recolhendo todos os carvões (fonte de carbono 14) das fogueiras pré-históricas do sítio", recorda o pesquisador.

 

Neves e Araujo sublinham que a descoberta enfraquece ainda mais o modelo Clóvis, explicação que, durante muitos anos, foi hegemônica para a ocupação humana na América. "Segundo esse modelo, o homem teria entrado no continente pelo Estreito de Bering há 11,2 mil anos", explica Neves. Ele descobriu, em 1998, Luzia, o esqueleto humano mais antigo da América, de uma mulher que viveu há cerca de 11 mil anos no Planalto Central. Foi um golpe no modelo Clóvis. "Não daria tempo para todo o continente ter sido colonizado", aponta o pesquisador.

 

Outras descobertas também fortaleceram a teoria de uma ocupação mais antiga da América. A presença de diferentes culturas líticas - ou seja, de construção de ferramentas com pedras - em um passado bastante remoto, aliada a uma surpreendente e antiga adaptação às diferentes paisagens do continente, também apontam que o homem chegou à América há mais tempo.

 

Defensores do modelo Clóvis, no entanto, questionavam a datação de Luzia. Também afirmavam que as diferentes culturas líticas seriam mais bem explicadas por diferenças nas matérias-primas disponíveis que pela presença de uma tecnologia sofisticada no continente há mais de 10 mil anos. Por fim, atribuíam a ocupação dos diversos habitats da América do Sul à natural habilidade humana de adaptação. "Agora, com esse achado, mostramos que já havia uma considerável diversidade simbólica no continente logo no início do Holoceno", afirma Neves. "Algo inverossímil se a ocupação da América tivesse começado há apenas 11,2 mil anos."

 

Araujo concorda. "Mostramos que a hipótese de uma ocupação mais antiga não se baseia só na datação de um esqueleto ou em evidências isoladas", afirma o arqueólogo. "Todas as evidências descobertas na América do Sul apontam nessa direção." Ele atribui o apego dos pesquisadores dos Estados Unidos ao modelo Clóvis a uma dupla culpa: "Precisamos publicar mais em inglês e eles precisam começar a ler com mais atenção nossos trabalhos".

 

Neves acredita que o homem chegou ao continente há 14 mil anos. Ele também aposta que a porta de entrada foi o Estreito de Bering. "Não acho razoável propor que os primeiros habitantes vieram por embarcações da Austrália ou da África, bebendo água salgada", aponta o pesquisador.

 

Os pioneiros no continente não tinham a aparência dos índios atuais - que, na visão de Neves, chegaram depois à América, há 11 mil anos. Eles eram parecidos com os africanos e com os habitantes nativos da Austrália.

(O Estado de São Paulo) 

Gostaria de informar a todos que o processo seletivo do mestrado em arqueologia da UFPE tá aberto novamente. Segue em anexo o Edital.

Por favor, divulguem.

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