Palavra-Chave:
Link Respondido por Eduardo Kazuo Tamanaha em 18 dezembro 2008 no 8:21 Prezados colegas,
Acredito que não devemos chegar a conclusões precipitadas. A hipótese da dispersão (norte-sul) do povo Tupi-guarani, apesar de novos dados apresentados, ainda é plausível, pois deve-se considerar o volume considerável de trabalhos arqueológicos (proporcionalmente) realizados na região sudeste do país em detrimento à região Norte. Pode ser que os sítios mais antigos ainda não tenham sido encontrados ou já tenham sido destruídos.
Apesar do que parece, não defendo essa hipótese (ou conjectura), mas a vejo (assim como outras) como uma forma de refletir sobre o processo de ocupação indígena nas terras a que hoje chamamos de Brasil.
Caro Roberto e demais colegas interessados no assunto tupiguarani,
Os problemas relacionados com a origem e dispersão dos grupos Tupiguarani ainda persistem e persistirão, pois quanto tudo for esgotado não haverá mais razão de estudados, o que seria a negação do proprio conhecimento cientifico. Existem muitas questões que ainda não foram explicadas e que considero basilares para o entendimento desta Tradição cultural. As "manchas" que encontramos cobertas de fragmentos na maioria das vezes são confundidas com o interior das Ocas. Será? como eles morariam sobre cacos? Será que não corresponderiam a um processo de descarte a partir de uma abertura na parte posterior da oca? O fato é que existe uma logica matematica na dispersão. Já escrevi sobre isto, onde mostro que dependendo do grau de perturbação do sitios pode-se, através da aplicação da teoria de correlação saber, com um grau de acerto muito alto, quantos cacaos encontraremos em diferentes pontos da concentração. Por outro lado, quando se estudou por influencia do "metodo Ford" o metodo de manufatura como elemento identificador, mostrei atraves de experiencias de RX que a mesma vasilha apresentava diferentes "metodos" de manufatura, ou seja, poderia ser iniciada por moldagem, em seguida por modelagem e depois por acordelamento. Como isto, depois desta experiencia que se encontra publicada, para mim é um fato inconteste, tenho que admitir que, se estudarmos uma coleção de fragmentos quanto ao metodo de manufatura, não teremos um resultado seguro, pois dependendo de que parte do vasilhame seja o fragmento teremos um resultado diferente. O mesmo ocorrendo com relação ao antiplastico, que também escrevi sobre o tema mostrando que este elemento não possui nenhum significado espaço temporal. Quando se tinha cronologias em torno do descobrimento do Brasil, obtive uma amostra em torno de 2000 anos. tive receio de publicar, durante muito tempo, pois era tão distante o resultado que poderia ser fruto de uma contaminação da amostra. Por outro lado pergunto, quam migrou foi a "Tradição ceramica" ou as pessoas que a detinham? Existem muitas outras questões sobre o tema que ainda se encontra muito enevoado, a despeito de haver muitos trabalhos serios sobre o tema. Acho que teriamos que ter humildade para admitir o que não sabemos e redirecionar os estudos de forma mais objetiva. Este é um tema que muito me interessa e que deixei de lado durante muito tempo por falta de interlocultores. Enquanto o "metodo Ford" trabalhava com 3 ou 4 variaveis não estudavamos mais de 100 itens de analise por peça. Enquanto se estabelecia cronologias com base da distribuição do antiplastico estavamos estudando rachaduras de queima, secagem e pós-deposicional. De qualquer forma gostaria de trocar idéias com colegas que se interessem pelo assunto e que não trabalhem com paradigmas irremoviveis. Falta muito para se ter uma posição que se aproxime da realidade sobre a tradição Tupiguarani.
Abraços a todos,
Marcos Albuquerque
© 2012 Criado por Diogo Costa.


